Capital paulista corre o risco de não ter campanha contra raiva

Gestão Covas culpa falta de doses para realizar vacinação nos animais

Leonardo Zvarick
São Paulo

A capital corre o risco de não ter campanha de vacinação contra a raiva animal em 2019. Segundo o Sindsep (Sindicato dos servidores Municipais), a prefeitura disse em comunicado interno que, em função de desabastecimento, o Ministério da Saúde não vai distribuir doses suficientes para a realização da campanha.

A veterinária Priscila Ribeiro aplica vacina na cadela Esmeralda - Zanone Fraissat - 23.jul.2015/Folhapress

A vacinação ocorre todos os anos gratuitamente e é obrigatória para animais com mais de 3 meses. A raiva é uma doença transmissível por contato direto, ou seja, pela mordida, arranhões ou lambida de cães, gatos ou outros mamíferos. O vírus pode ser transmitido para humanos.

O Sindsep classificou a descontinuidade da campanha "um grave perigo para a população".
Segundo Claudia Lautert, coordenadora do curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário da Serra Gaúcha, apesar de controlada em grandes centros, a raiva é uma doença que ainda não foi erradicada.

"É uma doença rural que possui reservatórios, o principal deles o morcego, que carrega o vírus e transmite a outros mamíferos", disse a especialista.

A coordenadora acrescenta que a prevenção vacinal, classificada como "essencial" por convenções internacionais, é a única forma de manter a doença longe da população. "Quando impossibilitada, surge uma janela para nova epidemia. A longo prazo, pode ter consequência grave".

Resposta

Questionados pela reportagem, nem a Prefeitura de São Paulo, sob gestão Bruno Covas (PSDB), nem o Ministério da Saúde responderam se há um problema de desabastecimento de vacinas contra a raiva.

Da mesma forma, não foi respondido se haverá campanha de vacinação neste ano e se o comunicado de circulação interno ao qual a reportagem teve acesso é verdadeiro.

Os questionamentos foram encaminhados aos órgãos no início da tarde de terça-feira (2), mas não foram respondidos até a conclusão da reportagem.

A assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde disse apenas que "há vacinas na cidade" e que a campanha ainda "não foi confirmada". Não disseram, no entanto, se há estratégia alternativa de imunização.

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