Descrição de chapéu Zona Leste

Espera por consulta médica na zona leste de SP passa de 100 dias

Tempo para especialidades subiu na capital; demora é maior no Itaim Paulista

Elaine Granconato Mariangela de Castro
São Paulo

A zona leste de São Paulo registrou a maior espera por consulta com especialistas na rede de saúde municipal em 2018. O morador do Itaim Paulista, no extremo da região, por exemplo, permaneceu em média na fila por até 148 dias para ser atendido pelo médico. O tempo médio para a região é de 109 dias.

O aposentado Luiz Gomes, morador do Itaim Paulista e que tem desgaste nos joelhos, esperou por quase dois anos uma consulta com ortopedista - Rivaldo Gomes/Folhapress

Em toda cidade, o tempo médio de espera subiu para 85 dias no ano passado. Em 2017, eram 73 dias para o dependente do SUS (Sistema Único de Saúde) conseguir consulta com especialista.
Os dados são do boletim anual da Ceinfo (Coordenação de Epidemiologia e Informação) da Secretaria Municipal de Saúde, sob a gestão Bruno Covas (PSDB).

Moradora na região do Itaim Paulista, a dona de casa Eli Anselmo, 63 anos, não só engrossou a lista como ultrapassou a média de 148 dias de espera para passar por um especialista.
Em 17 de outubro do ano passado, ela recebeu uma guia para ser consultada por médico especialista em angiologia (trata os vasos sanguíneos e linfáticos).

A consulta só foi realizada na manhã de quarta-feira (17). A mulher, com uma série de varizes nas pernas, teve de esperar oito meses.

"É um descaso gigantesco com as pessoas mais pobres, que não possuem condições de pagar um médico. É cansativo demais", diz.

Ao menos 30 especialidades são oferecidas. Oftalmologia, cardiologia, ortopedia/traumatismo, psiquiatria, otorrinolaringologia, dermatologia e urologia foram as áreas com maior procura para atendimento no ano passado.

No total, 9.563.001 consultas médicas com especialistas foram realizadas ao longo de 2018 nos 25 ambulatórios de especialidades espalhados pelas seis regiões demarcadas pela rede de saúde municipal.
Se a espera para passar com o médico foi maior no ano passado, o número de atendimentos também cresceu, pois em 2017 foram realizadas 9.454.811 consultas com especialistas.

20 meses

Foram quase dois anos de espera para que o aposentado Luiz Gomes, 71 anos, morador da zona leste, pudesse ser atendido por um ortopedista. A consulta ocorreu somente nesta quarta-feira (17), 20 meses depois, com o diagnóstico pós-consulta: necessidade de cirurgia em um dos joelhos.

A espera do aposentado começou em novembro de 2017, quando ele passou pelo clínico geral em uma unidade básica de saúde. Gomes foi encaminhado para consulta com o ortopedista e aguardou até esta quarta-feira para conseguir ser atendido.

"Durante todo este tempo, percebi que fiquei pior. A cada dia que passa, sinto mais dor e tenho mais dificuldade de andar. Tem dias em que eu não consigo nem levantar da cama", afirma o aposentado.

Após a consulta desta quarta, o aposentado saiu, desta vez, com novo desafio pela frente.

"O médico disse que meus ossos estão muito desgastados, então a cirurgia precisa ser feita o quanto antes. Não consigo nem imaginar o tempo que vai demorar para marcarem uma data."

Em 2018, 745.429 consultas de ortopedia ou traumatologia foram realizadas pela rede pública.

Fato grave

Professor na Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo), o sanitarista Gonzalo Vecina diz que, dependendo da especialidade, gravidade e urgência, uma espera de até 148 dias pode ser classificada como “muito grave”, como a que ocorre no Itaim Paulista (zona leste).

Em regra, 30 dias é um tempo razoável para o usuário passar por consulta na rede pública de saúde. O que, segundo o especialista, raramente ocorre.

Entre as soluções para o problema de espera para ser atendido pelo médico na rede de saúde municipal, o especialista aponta o gerenciamento das filas. “Em primeiro lugar, deve ter oferta. Depois, a prefeitura precisa monitorar essa fila de espera, inclusive, para se evitar com que as esqueçam as consultas e faltem”, diz o professor.

Sobre a zona leste, o especialista diz que é região mais carente em ofertas de serviços de saúde.

Resposta

A Secretaria Municipal de Saúde, gestão Bruno Covas (PSDB), diz, em nota, que realiza a administração das vagas para consulta com médicos especialistas, a fim de otimizar o tempo de espera. 

Também promete entregar a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Tito Lopes, em São Miguel Paulista (zona leste) neste semestre, com clínica médica, pediatria e ortopedia.

A assessoria do governador João Doria (PSDB) diz, em nota, que durante sua gestão na prefeitura, ele promoveu “a requalificação não só da rede de assistência básica, como das filas por consultas com especialistas”.

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