Descrição de chapéu Centro

Relógios do centro de SP estão sem funcionar, mas impressionam pela beleza

Falta de manutenção deixa aparelhos parados no tempo em prédios conhecidos

Elaine Granconato
São Paulo

A São Paulo que não para, literalmente, parou no tempo na região central. Mais precisamente nos ponteiros de quatro relógios centenários históricos, entre eles, o da Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo), o mais antigo da cidade e instalado em 1884 na imponente fachada neocolonial do prédio do Largo São Francisco.

Há um ano sem corda, o “exemplar” mecânico francês de 135 anos congelou seus ponteiros às 12h05. Ou seria meia-noite e cinco? De todo modo, o veterano relógio parou no tempo.

 

A poucos metros dali, o relógio da praça da Sé, que marca o ponto zero da cidade, também deixou de funcionar. Desde outubro do ano passado, os ponteiros registram 7h10, dia e noite.

Consequentemente, o vistoso sino no alto da torre, que só se chega após ultrapassar cerca de 70 degraus, deixou de tocar de meia em meia hora na praça da Catedral da Sé.

O que lamenta o porteiro Edson da Silva, 59 anos, morador da zona leste. “Nossa, o relógio parou faz um tempão. Eu gostava de olhar a hora. Nem o sino bate mais.”

“O relógio acaba sendo ponto de referência para informação às pessoas, já que  fica ao lado da estação do metrô”, afirma o cabo da Polícia Militar Paulo Roberto Terra, 44, que há dois anos trabalha no policiamento preventivo na praça.

Outra relíquia histórica herdada da igreja do Pateo do Collegio deixou de cumprir sua missão na igreja de São Gonçalo, fundada em 1757 na Praça Dr. João Mendes. Segundo funcionária, desde “terça-feira (3)” o relógio parou.

O pároco Marcelo Jordan afirma que providenciaria o conserto. Porém, neste domingo (8) os devotos nipo-brasileiros que forem na missa das 8h, celebrada em japonês, ainda encontrarão os dois ponteiros estáticos na fachada da igreja tombada: 16h19.

Também no coração da cidade, o prédio histórico do Correios de São Paulo, no vale do Anhangabaú, traz na expressiva fachada o seu relógio adornado lateralmente por duas figuras humanas e abaixo por uma guirlanda. Seus ponteiros também pararam, exatamente às 14h45.

“Faz tempo que está assim”, afirma o balconista João Augusto da Silva, 66 anos de vida e 38 no Bar Restaurante Guanabara, comércio aberto no mesmo ano da fabricação do relógio da Praça da Sé, em 1910.

Colega de Silva, Gilberto Mendes, 46 anos, trabalhou por 28 anos na outra unidade do restaurante na rua São Bento, que não funciona mais. “Eu  olhava todos os dias as horas no relógio lá de cima (Nichile)”, conta, referindo-se à imponente máquina que fica ao lado do Edifício Martinelli.

Exatamente o que foi fotografado com um celular pelo trio de amigas do ABC que fazia turismo nesta região do centro da capital. 

“O relógio com o prédio de fundo. Ficou lindo”, afirma a química Juliana Vida, 35, de Santo André, com o aval de Bruna Sá, 31, e Camila Moura, 23.

De avô para neto

De avô para neto. Assim o relojoeiro Augusto Cesar Sampaio Fiorelli, 59 anos, paulistano nascido no Ipiranga (zona sul) e morador na Freguesia do Ó (zona norte), herdou o ofício cada vez mais raro em tempos de smartphones que fazem as vezes dos tradicionais relógios para ver as horas.

Desde 1976, Fiorelli faz a manutenção e cuida dos principais relógios por aqui, entre eles, da estação da Luz, das Faculdades de Direito e de Medicina da USP, do Mosteiro de São Bento e da praça Ramos de Azevedo (ex-Mappin; hoje, Casas Bahia).

“Aprendi tudo com o meu avô Augusto, que faleceu aos 95 anos, em 2008. Com 16 anos, ele me levava para limpar os relógios”, se recorda Fiorelli, que perdeu as contas de quantos degraus subiu e desceu nas estreitas torres.

Recentemente, fez a restauração completa do relógio inglês de Paranapiacaba, em Santo André (ABC), o Big Ben da vila ferroviária desde 1898. Hoje, iluminado.

Resposta

A Prefeitura de São Paulo, gestão Bruno Covas (PSDB), busca parceria para colocar o relógio da Praça da Sé em funcionamento. 

Os Correios dizem que a empresa responsável fará revisão dia 13, mas não informa desde quando está parado.

A Faculdade de Direito da USP abriu licitação para contratar empresa. A igreja de São Gonçalo fará o conserto nos próximos dias.

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