Descrição de chapéu Zona Sul

Mateus procurava em Paraisópolis a diversão que não tinha em sua cidade

Vendedor de produtos de limpeza de 23 anos morava em Carapicuíba e é um dos mortos em tragédia

Tayguara Ribeiro Alfredo Henrique
São Paulo

O vendedor de produtos de limpeza Mateus dos Santos Costa, 23 anos,  morava em Carapicuíba (Grande São Paulo) e costumava ir a bailes funk  em Paraisópolis "de vez em quando". Ele é uma dos nove jovens mortos na madrugada deste domingo (1) após serem pisoteados depois de uma intervenção da Polícia Militar na festa que reunia cerca de 5.000 pessoas.

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O baiano Mateus dos Santos Costa, 23. Ele está entre as nove vítimas que morreram na madrugada de domingo(1), durante uma ação da PM em um baile funk na comunidade de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo - Arquivo pessoal

"Ele vendia produto de limpeza em caminhão, pagava o aluguel da casinha dele e volta e meia ia ver a gente ou a gente ia lá ver ele. Era um menino tranquilo, se fosse menino errado eu não ia negar", afirma a doméstica Sílvia Ferreira Gonçalvez, 41, cunhada do Mateus.

"Ele só foi lá [ao baile] porque em Carapicuíba não tem opção. Nem a gente que é casal tem para onde ir", afirmou, ao lado do marido e irmão de Mateus, Moisés dos Santos

Segundo ela, o jovem nunca relatou violência policial no local antes. "A gente foi pego de surpresa, estamos em choque", disse. "Ele já tinha ido várias vezes a este baile com o meu filho e nunca aconteceu nada. Mas desta vez, o meu filho não foi, pois estava na casa da namorada", afirmou.

Mateus era solteiro, não tinha filhos e morava sozinho. Os pais dele residem na Bahia. "Ele gostava de conversar com os amigos, com a gente, saía com a minha filha e com meu filho", afirmou.

"O que a polícia fez foi errado. Não é assim que tem que entrar nos lugares. A irmã dele está grávida e a mãe dele é cadeirante", afirmou Sílvia.

Marcos se mudou da Bahia para Carapicuíba há cerca de cinco anos, segundo a cunhada. "Ele veio para São Paulo para ter uma vida melhor."

"Tem várias maneiras de dispersar um baile. Não precisava fazer isso. Jogaram eles para um beco para espancamento mesmo", disse o irmão de Mateus que também é vendedor de produtos de limpeza.

O corpo do rapaz será encaminhado à cidade natal, Maracás (BA) onde será enterrado.

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