Cidades da Grande SP já estão com as UTIs perto da lotação

Diadema tem 90% de ocupação dos leitos municipais em meio a pandemia de coronavírus

São Paulo

Algumas cidades da Grande SP já estão com o número quase esgotado de UTIs (Unidade de Terapia Intensiva) disponíveis nos hospitais municipais. Este é o caso de Diadema. A cidade já tem 90% de ocupação neste tipo de leito.

Isso em um momento em que o número de mortes pelo novo coronavírus tem aumentado na região metropolitana de São Paulo. Das 1.345 mortes relacionadas à Covid-19 no estado, 433 ocorreram fora da capital, segundo o governo estadual, gestão João Doria (PSDB). O número de mortes pelo novo coronavírus cresceu 21 vezes no interior, litoral e Grande São Paulo.

Diadema possui, ao todo, 26 leitos de enfermaria e 10 leitos de UTI, em hospitais administrados pela gestão municipal. Dos 10 leitos de UTI, nove estão ocupados atualmente por pessoas com casos suspeitos ou confirmados de Covid-19, de acordo com a prefeitura.

Segundo a administração da cidade, foram iniciadas "obras no Hospital Municipal para ampliação de mais oito vagas de leitos de UTI, que devem estar disponíveis para uso no início desta semana".

A vizinha São Bernardo do Campo é outra com taxa de ocupação das UTIs elevada. Segundo dados da prefeitura da cidade, da última segunda-feira (20), 86% das unidades já estavam com pacientes.

Movimentação em frente ao Hospital Municipal de Diadema, na região do ABC paulista; 90% dos leitos de UTI da unidade estão ocupados - Rubens Cavallari/Folhapress

São Bernardo tem 818 leitos públicos municipais, sendo 155 de UTI. "Foram abertos também 23 leitos no Pronto-Socorro Central (HPSC), sendo três de UTI pediátrica, seis de UTI adulto e 14 de enfermaria e mais 10 leitos (quatro de UTI e seis de enfermaria) para tratamento da doença no Hospital Universitário Municipal (HMU)", afirma a prefeitura.

A gestão municipal diz ainda que "não está prevista a montagem de hospital de campanha no município, uma vez que a cidade passará a ofertar, a partir de maio, 350 novos leitos voltados especificamente para o tratamento da Covid-19, sendo 250 deles no recém-construído Hospital de Urgência e outros 100 no Hospital Anchieta, que está sendo reformado para se tornar referência no tratamento da doença".

No Hospital de Clínicas de São Bernardo, as alas de Enfermaria e UTI Pediátrica de Cardiologia do equipamento estão cumprindo, desde quinta-feira (16), 14 dias de isolamento, após três pacientes, uma mãe e sete funcionários terem sido diagnosticados com Covid-19. Todos os funcionários do setor, bem como as mães e acompanhantes de pacientes, foram testados, segundo a gestão municipal.

Ainda no ABC paulista, Mauá já apresenta 70% de ocupação dos leitos de UTI geridos pela administração municipal. A prefeitura da cidade afirma que está montando um Hospital de Campanha para o combate ao novo coronavírus.

​A estrutura está sendo erguida no estacionamento do Paço Municipal e terá, "em um primeiro momento, 30 leitos, podendo dobrar a capacidade em até 72 horas, além de oferecer 40 profissionais para atender pessoas infectadas pelo vírus. O local terá 24 leitos de observação e transferência, seis de UTI com respiradores, e mais dois para atendimentos pediátrico".

Outra cidade da Grande São Paulo com alto índice de ocupação é Guarulhos. Com 837 leitos em hospitais municipais, a cidade possui uma ocupação de 63,49% das UTIs.

A prefeitura afirma que no Hospital de Campanha de Guarulhos (Centro de Combate ao Coronavírus - 3C-Gru), "a taxa de ocupação nesta data é de 45%. Do total de 70 leitos, 30 estão ocupados e dos 14 leitos de UTIs cinco estão ocupados".

Em São Caetano do Sul, a taxa de ocupação é quase a mesma de Guarulhos: está em 63,45%. A cidade afirma que tem "um Hospital de Campanha com 100 leitos, todos de enfermaria. Fora isso, a cidade criou duas alas de UTI exclusivas para Covid no Hospital Maria Braido, que totalizam 38 leitos – os outros dois leitos de UTI exclusivos para Covid estão no Hospital De Emergências Albert Sabin".

Entre as sete cidades que tiveram os dados analisados pela reportagem, a exceção é Santo André. Com 88 leitos de UTI, a prefeitura do município afirma ter 19 pessoas internadas neste tipo de leito, uma taxa de ocupação de 21,6%

Segundo a administração, "o município contará com 444 leitos de clínica médica (adulto e de pediátrica), sendo que 390 leitos podem ser ocupados por pacientes com covid-19. Serão 108 leitos de UTI adulto e pediátrica, sendo que 75 podem ser ocupados por pacientes com covid-19,a partir da entrega de todos hospitais de campanha".

Números preocupantes

Leonardo Weissmann, médico infectologista e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, diz que é preocupante as cidades atingirem níveis tão altos de ocupação nas UTIs.

"O risco é altíssimo. Ainda estamos em uma curva ascendente do número de casos da doença. É muito difícil, no curto prazo, conseguir ampliar o número de leitos de UTI. É importante lembrar que os hospitais de campanha servem para casos de pequena e média severidade, os pacientes mais graves precisam de estrutura. E isso não é só questão de verba, é preciso treinar os profissionais, não é simples", conta.

O especialista afirma que além de contar com os leitos estaduais que existem nesses locais, as cidades precisam buscar parcerias, inclusive com outros municípios, para tentar minimizar o problema. Ele também alerta para a importância de intensificar o isolamento social para não saturar o sistema de saúde.

Leitos estaduais

Questionado sobre os leitos hospitalares estaduais nas sete cidades, a gestão João Doria (PSDB) afirma, em nota, que "o SUS, em São Paulo, possui 57 mil leitos gerais e 3,5 mil de UTI".

"A rede está em ampliação. Somente no Hospital das Clínicas da FMUSP 200 leitos já estão disponíveis. O hospital providenciou uma megaoperação para transferir os pacientes do Instituto Central (ICHC) para os outros sete institutos do complexo e liberar 900 leitos exclusivamente para atender pessoas infectadas."

Ainda segundo o texto, os municípios têm gestão plena do Sistema Único de Saúde e são responsáveis pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS), "portas de entrada' do SUS, inclusive para casos do novo coronavírus".

O Governo de São Paulo afirma ainda que repassará "mais de R$ 300 milhões aos Fundos Municipais de Saúde para enfrentamento ao coronavírus, visando a instalação de centros de referência e hospitais de campanha. O recurso contemplou cidades como Guarulhos (R$ 17,8 mi), Osasco (R$ 9,5 mi), Santo André (R$ 10,2 mi), São Bernardo do Campo (R$ 9,9 mi), São Caetano do Sul (R$ 1,2 mi), Mauá (R$ 5,6 mi) e Diadema (R$ 4,2 mi)".

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