Arcebispo de Aparecida defende a Lava Jato e a preservação do meio ambiente

Dom Orlando Brandes cita Evangelho para dizer que 'estamos com o espírito muito armado e precisamos nos desarmar para viver em paz'

São Paulo

Durante a primeira missa desta segunda-feira (12) em Aparecida (180 km de SP), quando se celebrou o Dia da Padroeira do Brasil, o arcebispo dom Orlando Brandes, usou palavras fortes para falar sobre a situação do país. Ele defendeu a Lava Jato, o planeta e disse que é preciso se despir da idolatria e se desarmar para se obter a paz.

Questionado em entrevista coletiva nesta segunda-feira (12) se ele se referia ao governo Bolsonaro ou a seus apoiadores, dom Orlando se ateve apenas a dizer que são palavras do Evangelho. “Estamos com o espírito muito armado [atualmente] e precisamos nos desarmar para viver em paz. Isso é mais amplo do que nossa realidade.”

Para o arcebispo, o culto à personalidades não é positivo. “Significa a divinização de A, B ou C, e isso não é muito bom, porque vai ter um fanatismo dentro de nós e isso nos deixa incapaz de ver o ponta de visto do outro. Essa idolatria na política, na economia, em qualquer setor, tira o lugar de Deus e da fraternidade”, disse.

“O governante tem a missão de [fornecer] amor e caridade social. É preciso dar carinho, atenção e o cuidado a todos.”

O religioso disse ainda que a mentira da fake news (notícia falsa) tira o foco da verdade. “Afasta a visão de que deveríamos trazer soluções políticas e econômicas para nosso povo. Cria o ódio e estimula a separação.”

A operação Java Jato, que Bolsonaro disse recentemente que “acabou” porque em seu governo não tem mais corrupção, não foi esquecida por dom Orlando.

“A impunidade com tudo o que aconteceu com a Lava Jato está voltando. Deveríamos salvar a operação, porque estávamos vencendo o dragão da corrupção, que não deve voltar. Não somos dignos de sermos escravizados pela corrupção. Pão na mesa de todos, isso está no evangelho, não serve só para o Brasil, mas para o mundo. O poder escravizador ainda se faz presente em alguns lugares do mundo.”

Dom Orlando lamentou a pandemia e o esvaziamento do santuário, mas afirmou que essa situação é comum desde março. Para ele, entretanto, apesar da orientação de evitar a visita ao complexo no Dia da Padroeira, os devotos têm a necessidade de receber abrigo espiritual em Aparecida.

“Eu nunca falava para os bancos. Na minha mente, estava pregando para pessoas e fazia as homilias como se a basílica estivesse completa”, afirma. “O povo de maneira geral e os católicos têm um carinho especial por Aparecida e se enchem de alegria aqui. Mesmo com as dificuldades impostas pela pandemia, eles vieram e estão seguindo as orientações de segurança sanitária.”

O religioso ainda defendeu o meio ambiente, em meio a queimadas no Pantanal e na Amazônia. “É urgente falar do meio ambiente. Nós transformamos o jardim num deserto. Para o bem da economia do Brasil, precisamos melhorar isso [abolir as queimadas], porque muitos países estão deixando de investir aqui. Encontramos Deus nas criaturas, elas nos falam de deus. Temos a consciência mundial de que todos os povos precisam preservar a nossa Terra e não sermos nós os destruidores do planeta. Ainda dá tempo de recuperar a vida no planeta”, afirma.

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