Albergues estão sujos e sem acessórios básicos

Secretário admite problemas em 18 dos 20 centros temporários de acolhimento

Elaine Granconato
São Paulo

Dezoito CTAs (Centros Temporários de Acolhimento) da gestão Bruno Covas (PSDB), do total de 20, apresentam problemas desde estruturais até de falta de higiene e acessórios básicos de uso do público-alvo, como lençóis, cobertores e toalhas.

As irregularidades foram apontadas pelo secretário municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Marcelo Del Bosco, a partir de vistoria técnica realizada nos últimos dias nas 20 unidades. A entrevista foi concedida à rádio CBN, na quarta-feira (3).

O serviço atende às pessoas em situação de rua e oferece lugar para dormir, tomar banho e fazer refeição. Os espaços foram criados em 2017, quando o atual governador João Doria (PSDB) era o prefeito. No total, são 4.600 vagas e 15.905 indivíduos nessas condições, segundo informação da prefeitura.

O atual titular da pasta, substituto de José Castro, que deixou a secretaria na semana passada por discordar dos cortes no orçamento, afirmou ter estado nos centros inclusive na madrugada. Na visita, encontrou unidades com banheiros entupidos, chuveiros em quantidades insuficientes e vasos sanitários sem portas, além de armazenamento de alimentos diretamente no chão.

“A principal questão foi da manutenção. Fizemos, com a equipe técnica, levantamento da parte estrutural como o dia a dia do centro. Colhemos informações dos conviventes”, disse o secretário.

As visitas in loco ocorreram somente depois da série de denúncias feitas por funcionários dos centros e pela imprensa sobre as precárias condições das unidades.

Outro agravante, segundo as denúncias, seria que uma das organizações sociais responsáveis pelo atendimento de 5 dos 20 centros estaria ganhando, sem realizar o serviço adequadamente. O Ministério Público instaurou inquérito para apurar as irregularidades.

Resposta

A Prefeitura de São Paulo, da gestão Bruno Covas (PSDB), diz, em nota, que abriu processo administrativo para apuração dos fatos descritos na denúncia. Em avaliação prévia, alguns pontos foram constatados para providências emergenciais em relação às adequações de banheiros, forro, reparos de piso, hidráulica, infiltração, ventilação e armazenamento de alimentos.

O resultado será enviado à coordenadoria jurídica para as ações necessárias de sanção, advertências e notificações. A prefeitura diz ainda que a “fiscalização dos serviços é permanente, inclusive as visitas”. Cada unidade está sendo orientada novamente para os corretos procedimentos.

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