Mãe dá queixa na polícia de racismo em shopping de SP

Boletim de ocorrência foi registrado contra dois seguranças que teriam barrado criança

Alfredo Henrique
São Paulo

A mãe de um estudante negro de 11 anos acusa dois seguranças de um shopping em Perdizes (zona oeste) de impedir a entrada do garoto no local. Um boletim de ocorrência de racismo foi registrado nesta quinta-feira (26). A polícia vai investigar o caso.

Segundo a denúncia feita pela mãe do garoto, ela, o menino e a filha, de dois anos, haviam acabado de comer em uma lanchonete da região e resolveram entrar no Bourbon Shopping, por volta das 13h30 desta quarta-feira (25). Alguns metros antes da porta de entrada, na avenida Francisco Matarazzo, a menina deixou cair um brinquedo no chão. O irmão dela voltou para pegar o objeto, enquanto a mãe e a criança entraram no centro de compras. 

O relato da mãe aponta que, quando o menino tentou entrar no local, foi impedido por um segurança de 23 anos. O garoto, ainda segundo a denúncia, pediu licença, mesmo assim, o vigia lhe negou a entrada, juntamente com outro segurança, de 28 anos. 

A mãe do garoto percebeu o que acontecia e foi tirar satisfações com os dois funcionários. Após serem informados de que o menino a acompanhava, os vigias pediram desculpas e disseram, segundo boletim de ocorrência, que “nas redondezas há muitas crianças que vão ao local pedir dinheiro" e acharam que "o menino estaria sozinho e na mesma situação”, diz trecho do documento policial. 

Clientes nos corredores do Bourbon Shopping. Mãe acusa seguranças do centro de compras de racismo contra filho de 11 anos - Alessandro Shinoda/Folhapress

O advogado Ariel de Castro Alves, que representa a família da vítima, classifica o impedimento do menino de entrar no shopping como um caso grave de racismo e de discriminação social e econômica. “Estamos sim em um país racista. O menino ficou abalado e constrangido com a situação e disse que foi o pior dia da vida dele”, afirmou o advogado. 

Alves acrescentou que shoppings são locais de ampla circulação pública e que, por isso, os seguranças não podem escolher quem entra ou não. "Isso é preconceito e discriminação. E se fosse mesmo um menino em situação de rua e abandonado? Não poderia entrar no shopping? A Constituição Federal proíbe qualquer forma de discriminação”, afirmou. 

Resposta 

O Bourbon afirmou repudiar qualquer forma de racismo ou ato discriminatório. "Com relação ao episódio, a empresa informa que os seguranças agiram em conformidade à orientação de abordar qualquer menor de idade desacompanhado que ingresse no shopping, e reforça que a atitude dos profissionais visa única e exclusivamente à proteção deste público. A empresa ressalta que repudia qualquer forma de racismo ou ato discriminatório", disse a nota.

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