Calçadas de prédios públicos de SP estão em más condições

Falta de conservação e de acessibilidade são problemas frequentes encontrados pelos pedestres

Elaine Granconato
São Paulo

Não são só as calçadas de imóveis residenciais, comerciais e industriais da capital que apresentam problemas para locomoção do pedestre. Mas, também, as que ficam na frente de prédios sob responsabilidade dos órgãos públicos municipal, estadual e federal.

O Vigilante Agora encontrou calçadas com buracos, rachaduras, desníveis, pisos soltos ou faltando, raízes de árvores crescidas, obstáculos e degraus em vários locais dos 21 visitados no dia 14 deste mês.

A falta de acessibilidade à pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida no passeio público é real, embora o direito seja obrigação constitucional.

Dos seis prédios estaduais que prestam atendimento à população, além de um federal e os demais do município visitados, a calçada em pior situação é a de acesso ao Pronto-Socorro do Hospital Estadual Vila Alpina (zona leste), na rua José Jeraissati, s/n.

A começar pela largura, que em determinados trechos não passa uma cadeira de rodas com 70 cm, ao dividir o mesmo espaço com um orelhão, poste, lixeira e ponto de parada de pedestres para travessia no semáforo. Tudo isso bem ao lado da entrada principal do pronto-socorro 24 horas.

A auxiliar de limpeza Dulcinéia dos Santos, 67 anos, se equilibra nessa calçada há 15 anos, entre desvios das incontáveis partes levantadas do concreto pelas raízes das árvores. "Já tropecei várias vezes e quase quebrei meu pé. É meu caminho diário para o trabalho", diz a moradora no Butantã (zona oeste).

Problemas com raízes de árvores expostas e calçadas esburacadas também foram recorrentes em unidades de saúde da prefeitura, entre elas, no Hospital Municipal Vereador José Storopolli, no Parque Novo Mundo (zona norte).

Ali, o pedestre ainda tem de dividir o espaço do passeio público com os ambulantes, mesas e cadeiras sob a calçada, com desníveis e sem rampa de acesso à pessoa com cadeira de rodas.

Assim como ocorre na 1ª Delegacia de Polícia da Pessoa com Deficiência, que sequer possui piso tátil direcional e de alerta ao deficiente visual, por exemplo. Também não conta com rampa de acesso para cadeirante.

Para a professora Claudete Figueiredo, 56 anos, da Vila Alpina, tudo parece ser feito sem qualquer planejamento. "Não se escolhe uma árvore adequado ao local antes de plantá-la", aponta.

Resposta

A Secretaria de Estado da Saúde, gestão João Doria (PSDB), diz que "há projeto para revitalização em breve" da calçada do Hospital Estadual Vila Alpina. Ofício foi enviado à subprefeitura para vistoria das árvores.

A Prefeitura de São Paulo, gestão Bruno Covas (PSDB), diz que investirá R$ 400 milhões no plano emergencial de calçadas, que prevê a requalificação de 1,5 milhão de metros quadrados até o fim de 2020.

Na capital, segundo a gestão, há cerca de 34 mil quilômetros de calçadas, das quais, 17% sob sua responsabilidade. "Em 2018, foram revitalizados 37.674 m². Neste ano, serão cerca de 750.000 m²."

A Secretaria Estadual de Segurança Pública diz que enviou oficio à prefeitura acerca dos acessos no entorno da Delegacia de Polícia da Pessoa com Deficiência. Há projeto para reforma das 120 delegacias, que incluirá o calçamento.

O Detran (Departamento de Trânsito) de São Paulo, órgão estadual, diz que há licitação em curso para serviço de reforma da calçada da unidade Armênia. Também foi solicitada à prefeitura a vistoria das árvores.

O INSS (Instituto Nacional de Seguro Social), gestão Jair Bolsonaro (PSL), diz que a calçada foi reformada recentemente e a prefeitura notificada sobre o desnível devido à árvore.

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