Prefeitura de São Paulo reduz frota de ônibus em quase 9%

Administração afirma que medidas só afetam linhas com oferta superior a demanda de passageiros

São Paulo

A Prefeitura de São Paulo reduziu em 8,39% a frota de ônibus em circulação na capital a partir desta quinta-feira (25). A medida foi tomada após avaliação dos índices de lotação dos veículos. Mesmo assim, passageiros ainda precisaram lidar ônibus cheios.

A administração disse que tem feito monitoramentos constantes e mantido a frota de veículos bem acima da procura de passageiros. A redução será aplicada em linhas com oferta superior à demanda existente e nenhuma delas será excluída, afirma a gestão. Com a mudança, 10.791 coletivos permanecem em circulação. Isso corresponde a 84% da frota total antes da quarentena.

Passageiros em pé dentro de ônibus na avenida Belmira Marin, no Grajaú (zona sul) no dia 15 de junho. - Rivaldo Gomes/Folhapress

Segundo a gestão Bruno Covas (PSDB), a readequação “vai priorizar o atendimento em bairros mais afastados do centro, onde está maior concentração de casos de Covid-19 e síndromes respiratórias”, diz. A medida não afeta linhas do subsistema local de distribuição, que operam nos bairros.

Em nota, a SPTrans disse que "seguirá monitorando a demanda de passageiros e a oferta, para realizar os ajustes operacionais quando constatada a necessidade".

Mas usuários perceberam ônibus mais cheios nesta quinta. Por volta das 7h20 desta quinta-feira, a supervisora de atendimento Luana de Castro Jordão, 38 anos, saiu da Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo, com destino a região central. Ela utiliza a linha 407L-10 (Barro Branco - Metrô Guilhermina Esperança) para ir até a região de Guaianases e afirma que os veículos continuam cheios. "Algumas linhas até passam mais vezes, mas não atende a população", afirma.

No trajeto de Luana, os ônibus ficaram mais vazios apenas no início da quarentena, entre o fim de março e início de abril. Para ela, a readequação é ruim. "Não faz sentido reduzir os ônibus quando a população tem vindo cada vez mais para as ruas", comenta.

O frentista Hadamés Sales da Silva, 23, também sai da Cidade Tiradentes às 6h com destino a região da Mooca, ainda na zona leste. Ele conta que a fila para pegar a linha 4313-10 ( Cidade Tiradentes /Pq. D. Pedro 2º) estava maior do que o habitual e o veículo lotou no decorrer do caminho.

Além disso, Hadamés afirma que o intervalo entre os ônibus demorou mais, passando de cinco minutos para cerca de 15. Para ele, a redução não tem como dar certo "pois as pessoas estão indo trabalhar mais e os ônibus diminuindo", afirma.

Lotação

Esta não foi a primeira mudança feita pela gestão Covas nos coletivos, recentemente. No início de junho, o prefeito ameaçou demitir o secretário Edson Caram, se os ônibus continuassem rodando com passageiros em pé. Dias antes a prefeitura havia orientado as empresas que só transportassem usuários sentados para evitar aglomeração.

“O secretário [de transportes, Edson Caram] tem até sexta (12) para conseguir fazer isso [que os ônibus não tenham pessoas em pé]. Se até sexta ele não conseguir fazer isso, a partir de segunda é outro secretário que vai tentar fazer”, disse Covas no último dia 8. No dia 12 o secretário pediu demissão. A ex-diretora de Planejamento e Projetos da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), Elisabete França, assumiu a pasta no dia 20.

Nesta véspera, o prefeito desistiu da recomendação às empresas de ônibus para que os coletivos rodassem somente com passageiros sentados.

Essa foi a terceira vez que Bruno Covas recuou em uma decisão ligada a transportes e trânsito para tentar frear o avanço do novo coronavírus. No começo de maio, a prefeitura promoveu bloqueios em ruas e avenidas da cidade pela manhã, mas a medida durou apenas dois dias, pois provocou engarrafamentos nos locais e prejudicou a passagem de ambulâncias.

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