MP pede números de telefones de 31 PMs investigados em mortes de Paraisópolis

Quebra de sigilo verifica se policiais usaram celulares pessoais depois da ação que matou nove pessoas pisoteadas

Arthur Stabile
São Paulo

O MP (Ministério Público) de São Paulo solicitou nesta quarta-feira (26) os números de celulares dos 31 PMs investigados pelo massacre de Paraisópolis, na zona sul da cidade de São Paulo, quando nove pessoas morreram pisoteadas em 1º de dezembro de 2019.

A solicitação, feita à Polícia Civil do estado, busca a quebra do sigilo telefônico dos policiais. Além das nove mortes, outras 12 pessoas se feriram durante a ação da PM.

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Baile funk DZ7, na comunidade de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, no primeiro sábado após a tragédia que teve 9 jovens mortos - 07.12.2019 - Marlene Bergamo/Folhapress

Ao Agora, o MP explicou em nota que o objetivo do pedido é identificar se os policiais usaram seus celulares particulares depois da ação.

Oficialmente, os PMs se comunicaram somente via Copom, canal oficial de ocorrências da PM, para repassar informações desta ação. A apuração pretende identificar possíveis conversas extra-oficiais.

À época, cerca de 5.000 pessoas participavam de um baile funk na rua Ernest Renan, no centro da favela de Paraisópolis. A festa, conhecida como Baile da DZ7, foi interrompida por uma ação policial.

De acordo com os policiais, eles perseguiam uma moto que entrou no meio do baile. Em resposta à presença da PM, as pessoas teriam atirado garrafas, o que gerou a ação com bombas, segundo a corporação.

As vítimas tinham entre 14 e 23 anos e nenhuma morava em Paraisópolis. Havia entre eles estudantes, vendedores e desempregados que viviam em bairros como Capão Redondo, também na zona sul, Vila Matilde, na zona leste, e em cidades da Grande São Paulo, como Mogi das Cruzes.

Em nota, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) disse que a autoridade policial responsável pelas investigações está "adotando as medidas cabíveis" para prestar esclarecimentos ao MP.

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