Justiça Militar mantêm PMs acusados de dormir em serviço presos

Decisão foi tomada durante audiência de custódia realizada neste quarta-feira (17)

Alfredo Henrique
São Paulo

Os sete policiais militares presos na manhã de terça-feira (16), após serem flagrados dormindo em horário de serviço, permanecerão presos, por tempo indeterminado, no Presídio Militar Romão Gomes. A decisão foi tomada pela Justiça Militar, após audiência de custódia ocorrida nesta quarta-feira (17).

Segundo nota da PM, os policiais estão presos preventivamente pelo crime de descumprimento de missão. 

Polícia Militar reforça o policiamento na região central da capital paulista - Rubens Cavallari - 15.fev.19/Folhapress

O Agora mostrou nesta terça que os PMs foram flagrados dormindo dentro de seus carros particulares, no estacionamento do Hospital das Clínicas, na zona oeste da capital paulista. Porém, eles estavam escalados para trabalhar, nas imediações onde ocorreu o flagrante, em Operação Delegada, o “bico oficial” da corporação. 

Segundo a PM afirmou ainda na terça, a conduta dos policiais presos era investigada, pela Corregedoria da corporação, há cerca de dois meses. “[A Corregedoria] recebeu denúncia de que policiais militares escalados em Operação Delegada, após assumirem suas atividades, se dirigiam ao interior de seus veículos particulares, no estacionamento do Hospital das Clínicas, e por lá permaneciam até o término da escala”, diz trecho de nota. 

Segundo a escala de serviço do dia da prisão, a qual a reportagem teve acesso, dez policiais militares deveriam permanecer no HC. Porém, integrantes da Corregedoria estiveram no local, no início da manhã, quando flagraram os sete PMs dormindo dentro de seus carros particulares. 

Resposta

O advogado Fernando Capano, defensor de um dos sete presos, um soldado de 24 anos, afirmou que irá entrar com um pedido de habeas corpus nesta quinta-feira (18). 

Ele explicou que ainda aguarda a denúncia da Justiça Militar para poder traçar uma linha de defesa para o seu cliente. 

Porém, ele antecipou que, em seu entender, o crime cometido pelos sete policiais é de menor potencial. “Caso ocorra uma condenação [por descumprimento de missão, a pena é de até dois anos]. Isso não manteria os policiais presos. Em meu entender, por conta disso, eles podem responder ao processo em liberdade”, afirmou.

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