Descrição de chapéu Coronavírus

Feriado não altera índice de isolamento social em São Paulo

Índice no final de semana cai um ponto percentual em comparação com a semana anterior

São Paulo

O megaferiado criado pela prefeitura de São Paulo para tentar diminuir o fluxo de pessoas nas ruas não foi suficiente para elevar os índices de isolamento social na capital paulista e no estado. Para tentar conter a disseminação da Covid-19, o prefeito Bruno Covas (PSDB) anunciou no dia 18 a antecipação de cinco feriados municipais para o período entre 26 de março e 1º de abril.

Na sexta-feira (26), primeiro dia do feriado, os índices de isolamento eram de 42% na capital e 43% no estado. As taxas são exatamente as mesmas que foram registradas uma semana antes, no dia 19.

No fim de semana, os índices caíram um ponto percentual na cidade de São Paulo, tanto no sábado quanto no domingo. No dia 20, o isolamento na capital era de 46%, caindo para 45% no dia 27. No domingo, passou de 51% para 50% na comparação com o dia 21.

Movimentação de pessoas na avenida Sumaré (zona oeste) durante o megaferiado na cidade de São Paulo - Danilo Verpa 28.mar.2021/Folhapress

No estado, o isolamento caiu de 47% para 46% neste sábado na comparação com o dia 20. No domingo, o índice foi exatamente o mesmo da semana anterior. O percentual de 46% também foi registrado no dia 6 de março, quando todo o território paulista entrou na fase vermelha do plano São Paulo. No dia 15, quando São Paulo entrou na fase emergencial, o índice foi de 43%.

No ABC, onde o feriado começou nesta segunda, a taxa de isolamento subiu nos dois dias do fim de semana em Santo André e São Bernardo do Campo. Em São Caetano no Sul, o índice ficou estável no sábado e cresceu no domingo. No litoral, o índice aumentou em Santos.

O epidemiologista André Ribas de Freitas, professor da faculdade São Leopoldo Mandic, alerta para o fato de que, mesmo nos municípios em que houve aumento do isolamento, as taxas ainda são baixas. A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda um índice entre 60% e 70%.

"O que preocupa bastante é que estamos lidando com uma linhagem do vírus que é mais transmissível e temos uma taxa de isolamento menor [do que as registradas no início da pandemia]. Não é possível a gente imaginar que a situação vai se resolver dessa forma", comenta Freitas.

O médico acrescenta que, além das medidas de fechamento do comércio, o poder público deveria fazer um rastreamento dos contatos dos pacientes infectados pelo coronavírus, já que pode ter havido novas contaminações antes do início dos sintomas.

"A transmissão da Covid ocorre principalmente antes do início dos sintomas. Não adianta isolar só o paciente. Cerca de 70% das transmissões acontecem antes dos primeiros sintomas", complementa.

O médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto, fundador da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), defende restrições ainda mais rígidas. "Tem que parar tudo. Lockdown é lockdown. Não é brincadeira. E deveria ter fiscalização, inclusive com punição para quem desobedecer, como acontece na Europa", diz.

Para Vecina Neto, com as medidas atuais, "vai demorar muito" para que o estado e a capital comecem a ter uma redução significativa no número de casos da doença.

O sanitarista também criticou a criação do megaferiado. "O feriadão faz com que as pessoas se sintam de folga e relaxem. Achei inadequado."

Prefeitura de Santos critica feriadão

A decisão das prefeituras de São Paulo e do ABC de criar um megaferiado nesta semana foi criticada pelo secretário de governo de Santos, Flávio Jordão. Segundo ele, a medida pode comprometer ainda mais a situação da rede hospitalar na Baixada Santista.

"Nós reprovamos o megaferiado, porque as pessoas que têm casa de veraneio na Baixada acabam vindo para cá. Por isso nós criamos um lockdown, justamente para limitar o que as pessoas vêm buscar aqui, como a praia, o calçadão, os bares e os restaurantes", afirmou. O lockdown na região começou a vigorar no dia 23 de março.

Segundo Jordão, que integra a gestão Rogério Santos (PSDB), a cidade de Santos não registrou um aumento na movimentação de pessoas. Mesmo assim, ele faz um alerta. "Não adianta só a gente olhar para Santos. Se houver aglomeração em outras cidades [vizinhas], tem efeito em Santos", comenta.

Isso porque, segundo o secretário, a maior parte dos leitos hospitalares para o tratamento da Covid-19 na Baixada Santista está em Santos. Ou seja, um eventual aumento no número de contaminações em municípios próximos poderia elevar a ocupação hospitalar em Santos. Nesta segunda, a taxa de utilização de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para a doença no município chegou a 89%, de acordo com o secretário.

Por meio de nota, a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico, gestão João Doria (PSDB), afirmou que o Plano São Paulo para combate ao coronavírus "é pautado por dados técnicos e científicos de monitoramento da evolução da pandemia e da capacidade do sistema hospitalar" e que "os dados de isolamento são importantes, mas não estão entre os critérios técnicos do Plano SP".

"O plano é respaldado por análises e pareceres do Centro de Contingência para permitir, de forma consciente e gradual, a retomada das atividades econômicas dos setores. Ele prevê faseamento regionalizado e segue sob monitoramento contínuo e diário, permitindo medidas mais restritivas caso haja necessidade apontada pelo Centro de Contingência do coronavírus", disse a pasta.

A secretaria também reforçou a "importância da colaboração da população para evitar a disseminação do coronavírus". "Somente com o integral cumprimento das normas em vigor, será possível conter as taxas de contaminação da Covid-19", acrescenta. A pasta afirmou ainda que o estado "segue analisando a situação da pandemia para adoção de medidas adicionais, se necessário, para frear a disseminação da doença".

A Prefeitura de São Paulo afirmou que participa e apoia as ações conjuntas do governo do estado na capital. "É fundamental que as pessoas mantenham distanciamento social, evitando aglomerações, e usem máscaras. A cidade continua em quarentena e todos os protocolos de biossegurança precisam ser respeitados para garantir a saúde e proteção da população", informou, por meio de nota.

Veja as taxas de isolamento

Local 19/03/2021 20/03/2021 21/03/2021 26/03/2021 27/03/2021 28/03/2021
Santo André 42% 40% 46% 42% 46% 51%
São Bernardo do Campo 44% 48% 53% 44% 49% 54%
São Caetano do Sul 41% 45% 50% 42% 45% 52%
Guarulhos 38% 44% 45% 41% 41% 45%
Osasco 38% 44% 46% 40% 41% 46%
Guarujá 44% 49% 51% 47% 50% 52%
Praia Grande 44% 48% 52% 46% 51% 55%
Santos 39% 45% 49% 43% 46% 52%
São Sebastião 57% 60% 63% 58% 61% 63%
Capital 42% 46% 51% 42% 45% 50%
Estado 43% 47% 51% 43% 46% 51%

Fonte: Governo de São Paulo

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